sexta-feira, janeiro 25, 2008

FLORES DE SILÊNCIO XXVI


62

O que ao longo destas páginas temos conversado tem sido um desabafo mútuo, uma longa conversa sobre o modo como temos vivido até hoje e como temos superado as nossas provações.
Não nos exigindo nada uns aos outros, temo-nos encontrado na casa dos nossos sentimentos, nos lugares recônditos da alma, mas também temos olhado o horizonte e caminhado para ele, procurando o infinito no bem supremo, na paz e na luz que tanto almejamos.
Mas temos muito ainda que caminhar. Estamos a anos-luz de uma imagem ténue do bem que procuramos. Não tenhamos ilusões. Os passos que damos ainda estão povoados de lágrimas, de revoltas, de desconfiança. Ainda não vivemos a mensagem do Espírito de Verdade que veio à Terra esclarecer as máximas do Evangelho, codificadas nas parábolas do Mestre.
A nossa mediunidade ainda é de provas, ainda é uma capacidade que nos coloca frente à nossa mesma finitude. Por meio dela ainda caímos, ainda nos deixamos envolver por Entidades pouco ou nada esclarecidas.
Pensando sempre mais em nós mesmos, ainda damos esperando o reconhecimento dos outros, ainda possuímos uma lógica muito distante da que caracteriza os nossos Irmãos Maiores. Ainda nem sequer os vislumbramos, quanto mais possuir-lhes parte dos conhecimentos.
E veja, meu amigo, já reparou que quando um homem quer, as coisas belas e sublimes de que é capaz, os gestos tão próximos de um bem verdadeiramente mais elevado, mais emancipado? Já reparou na felicidade tão grande quando esse bem acontece, na alegria desses rostos, na leveza de que a vida se toma, num ápice, como se viver fosse um conjunto de gestos sequenciais de golpes de mágica? E mau grado essa felicidade, o momento é deveras doloroso, apenas tomou o colorido do amor, de quem sabe e quer partilhar experiências nos sulcos térreos de quem aprendeu a sofrer.
Já reparou nas capacidades de solidariedade social, de ajuda aos irmãos a quilómetros de distância, dos movimentos que perfeitamente se organizam a fim de lutarem, no mundo inteiro, para que determinados males desapareçam?
Isso é prova concreta de que o homem é portador da luz divina. É o divino que se manifesta nele, se expande porque ele assim o quer. Desta forma aprendemos que o homem precisa de querer. É de vontade que a problemática humana se impõe e se manifesta. Tudo é uma questão de vontade, porque quando o homem quer o bem é o bem que recebe e é o bem que dá.
Não foi Jesus quem disse que sendo tão imperfeitos, qual de nós dá ao filho uma pedra se este pede um pão, ou uma serpente se este pede um peixe? E sendo o Pai celestial a Suprema Bondade, como poderia Ele dar-nos o contrário do que Lhe pedimos?
Peçamos a vontade de bem querer, ou de querer só o bem. Peçamo-Lhe a solidariedade dos Espíritos de bem-fazer, dos amigos da Fraternidade Universal, dos que, após a cruz, se transformaram em rosas no Universo, fazendo deste um jardim de paz e amor sempre aberto a todos os regenerados.
Elevar o pensamento acima da Terra, colocarmo-nos para lá do horizonte, tudo se resume à vontade de ser diferente, apesar de se ser o mesmo na nossa individualidade como unidade pensante, reflexão em crescimento, mostrando e revelando-se como portador do divino.
Estas páginas têm como finalidade mostrar-nos o quanto ainda estamos muito renitentes em conquistar essa sublimidade, percebermos que somos deuses porque filhos de Deus.

Barbara Diller

sábado, janeiro 19, 2008

FLORES DE SILÊNCIO XXV


61

Muitos não querem o caminho da santidade e preferem a vida mundana porque, dizem, não concebem a possibilidade de uma vida feliz sem a componente da sexualidade.
Meu amigo, para quê falar do que não entendemos? Para quê castigar o nosso cérebro com interrogações sem resposta no horizonte da nossa fraca racionalidade, que mais não são que agentes poluentes da alma, quando esta devia preocupar-se, antes de mais, com a sua conduta terrena.
A pulsão sexual faz parte do homem e é responsável pelo seu equilíbrio. Não são poucos os que sobre ela se debruçam em seus estudos aturados, chegando à conclusão de que o nosso corpo esconde grandes mistérios, onde interagem múltiplas forças que contribuem para o seu bem estar. A sexualidade é uma delas.
Ora, se os seus potenciais ainda estão longe de ser conhecidos na sua totalidade, se ainda há tanto que o homem desconhece nessa área, como em todas as outras referentes ao seu corpo, para quê essa preocupação com a “superação” de uma coisa que ainda não foi atingida no seu todo?
Além disso, a relação sexual com amor, nem devia ser de outro modo, é uma coisa absolutamente divina, concede uma felicidade e estabilidade profundas ao casal que, de outro modo, este teria dificuldade em atingir.
Por outro lado, é através da relação sexual que a Natureza garante a manutenção e desenvolvimento da espécie humana. Isto é, a sexualidade também é evolutiva. A história das relações sexuais humanas é representativa do seu progresso a todos os níveis.
Hoje, mercê de uma maior divulgação e informação nesta área, os casais dispõem de centros de apoio a fim de melhor e com mais segurança comunicarem segundo a componente sexual. De facto, o mundo progrediu.
Mas repare, essa comunicação implica sempre uma entrega em amor. Sem amor temos promiscuidade. O amor é a chave-mestra que abre todas as portas, que desvenda todos os segredos, revela todos os ocultos.
Porque nos atraímos sexualmente? Porque nos desejamos? O amor tem os seus porquês, as suas mesmas razões. Ele é um olhar diferente sobre a Natureza, dentro da mesma Natureza. Amor e sexualidade acontecem num momento sem explicação, sem razão, sem medo, sem mentira.
É isso que lhe pedimos que conquiste. Ninguém o acusa do que fez e do modo como o fez até hoje. Se usou o seu aparelho sexual de forma displicente, se desacreditou que é possível, é real e verídico que no mundo em que vivemos já atingimos a beleza inefável do amor e sexo num só, o seu arrependimento, a sua compreensão e fé no futuro, próximo, de que vai bater à sua porta uma nova compreensão da vida, são já o bálsamo de que novos rumos irá tomar.
Respeite o seu corpo, respeite os seus sentimentos, e lembre-se que somos amados e respeitados na directa proporção em que o fazemos aos nossos semelhantes. Não temos o direito de usar os outros em nosso próprio proveito e satisfação dos nossos desejos. O respeito é parte da manifestação do divino em nós, é consagração ao bem como coisa subtil da alma.
A partir de agora lute por esse divino que pulsa dentro de si, e que tem um potencial extraordinário para o agregar a um ser que, só por si, é o mais espectacular do mundo: aquele(a) que será pai(mãe) dos seus filhos, seres muito sagrados que Deus vos depositará a fim de educarem para as coisas belas .
Lute, meu amigo, lute com todas as forças por esse grande amor pleno, sincero, verdadeiro.

Barbara Diller

sexta-feira, janeiro 11, 2008

FLORES DE SILÊNCIO XXIV


60

A sua consciência está a pesar muito. Você é um crente convicto, um assíduo da sua doutrina, um exemplo dentro da sua comunidade espiritual, um(a) pai(mãe) de família respeitado(a), mas, um dia, um belo dia caiu do seu pedestal de alicerces que pareciam sólidos. Você está a interrogar-se: “Que fazer quando o desejo da carne se sobrepõe a tudo? Que fazer quando o desejo de posse é mais forte que os pressupostos éticos e axiológicos? Que fazer quando o desejo de posse surge espontaneamente e se fixa à fantasia, ao nosso erotismo mais cru e ao qual queremos avidamente entregar-nos fora do lar?
Que fazer quando entramos em colisão com os nossos propósitos, os nossos ideais, a noção do certo e do justo? Que fazer quando desejamos aquilo que nos parece o mais errado, o mais incorrecto, o mais injusto, mas do qual não conseguimos fugir? Por que nos acontecem estas coisas tão complicadas que nos atormentam sem cessar?
Que surgimento é este que nos leva a magoar outros, mas sem o querer, a ferir o outro a ponto de nos odiar, por um amor que não é pouco amor, mas que é um desejo carnal de amor que não conseguimos combater?”
Os que sabem muito destas coisas dirão “É falso amor!”, os puros que “É egoísmo puro.” , os mais santos “é falta de oração e de vigilância.”, os que falam com o além limitam-se a afirmar que “É baixo astral.”
Para nós, é o interdito que apetece, é o que não podemos desejar que desejamos, é o pecado com consciência, mas também é o medo do inferno, das penas tenebrosas do umbral, do castigo de Deus tão grande quanto a responsabilidade daquele que comete o erro da carne.
No tempo de Jesus, o assunto resolvia-se à pedrada, (para a mulher, claro, sempre a mulher); na Idade Média por meio de penitência, e hoje? Como resolvemos os problemas de adultério que afloram, agora mais às claras, a nossa sociedade, que afligem na insegurança afectiva as nossas famílias, perturbam as nossas crianças, fazem lacrimejar os olhos que deviam estar secos? Como resolvemos estes problemas hoje?
O Evangelho ensina, nas suas doces lições de amor, que o erro não se combate com pedras, com o apontar o outro como se tivéssemos autoridade para julgar. O Evangelho ensina que, nesta área, ninguém é juiz de ninguém, todos somos réus. Repito: “todos somos réus”. Somos a geração adúltera, isto é, não mais que um bando grandioso de Espíritos primários que estão a aprender a amar. Que se magoam mutuamente, que caiem aqui, levantam-se ali, num caminho cheio de sulcos.
Neste caminhar é necessária muita coragem, mas também muita fé. A realidade destes factos apela a uma capacidade de perdão que parece sobre humana, mas que não é. Quanto ao amor, o verdadeiro amor, esse ainda ninguém conhece, por isso não pode julgar. Esse amor é de uma outra natureza. O que nós temos, por agora, é um rudimento muito necessário pelo qual, não se esqueça, os que são hoje anjos já o cruzaram também, por isso sabem compreender, perdoar, perceber e caminhar ajudando-nos a superar.
O coração do amor universal ainda está muito longe. Deus ainda é um mágico, por vezes fero, nas mentes empedernidas. Mas Ele está em toda a parte, mandou-nos o Seu Filho muito amado para nos ensinar a conquistar o caminho da redenção.
Tudo o que passamos, todos os nossos desejos são legítimos face ao nosso grau evolutivo. Eles são o rosto de quem realmente somos, e isso, só nós e Deus é que sabemos. Não os outros. Quanto às razões, elas perdem-se na complexidade das relações humanas formando o conjunto das nossas provas kármicas.
Um dia, quando o sol do amor espreitar o nosso Espírito, já nada disto será problema porque já nada disto acontece.
Aprendamos, pois, a perdoar e compreender. Só assim amaremos de verdade.
Barbara Diller

quinta-feira, janeiro 03, 2008

FLORES DE SILÊNCIO XXIII


58

Há quanto tempo não conversa com o seu corpo? Há quanto tempo não acerta umas contas com o instrumento perfeitíssimo que Deus lhe deu para conseguir viver neste plano físico tão denso? Por acaso já agradeceu a Deus o corpo belo e sublime que tem?
Sabia que o seu corpo também é um instrumento divino, sujeito à lei da evolução como tudo o que povoa este Universo magnífico? Infelizmente não são poucos os que o usam de forma distorcida face às leis de Deus, não são poucos os que o vendem nas malhas do infortúnio. Mas repare, antes de abrir a boca contra esses, que são tão nossos irmãos como o mais sublime dos anjos, pense primeiro no seu mesmo corpo.
Acha que tudo o que tem feito com ele, e por meio dele, esteve sempre correcto? Certamente encontrará no seu íntimo uma respostazinha menos agradável. Talvez encontre mesmo, na sua reflexão interior, uma valente resposta desajeitada. Terá certamente tendência para se desculpar, receando provavelmente a reprovação de Deus, dizendo que o que fez foi muito natural, que se você não se condena a si mesmo Deus também não fará. Terá dentro de si mil e uma respostas para justificar o seu acto. Nem vamos adiantar algumas delas, você tem-nas por demais bem conscientes.
Porém, meu amigo, use o mesmo sistema para com os outros, para com aqueles que pensa estarem muito abaixo de si. Mas, quanto a isso: Cuidado! Cuidado! Já viu a distância que há entre nós e os anjos? Se eles fossem tão intransigentes como nós, o que seria dos nossos pensamentos, dos nossos actos, da nossa conduta diária? Tenha presente de que nós estamos mais perto, bem mais perto do baixo que do alto.
O seu corpo merece toda a atenção e carinho, todo o seu amor. E mais, se os outros, aqueles que são considerados por si como seres desprezíveis face à sua conduta corporal, pensamento que deve deixar já hoje de Ter, faça você uma prece por eles. A mente chega a todo o lado, a todo o lado sem impedimentos, sem barreiras, sem obstruções.
Agradeça a Deus o corpo que tem, seja ele como for pois você tem o corpo que merece, e agradeça por aqueles que ainda não sabem agradecer. Bem haja pela prece, pelo recato pelos outros, pelo amor.

59

Ao longo destas páginas tenho-lhe falado intensamente dos nossos deveres espirituais para com o plano físico em que vivemos, bem como para com o plano invisível que nos circunda. É chegado o tempo de pararmos e pensarmos por uns breves momentos sobre quais os objectivos de semelhante tarefa.
Sofrer, pagar e ajustar, pois a nossa vida é cheia de cavernas, umas mais escuras, outras não tanto, no processo evolutivo a que Deus nos fez a graça de pertencermos.
Perdoar e esquecer, caso contrário prolongamos a estada num plano que, definitivamente, não queremos por muito mais tempo. Estamos por demais cansados de tantas vidas e, teimosamente, tão pouca evolução.
Salvar, emancipar, crescer, espalhar por toda a parte, divulgar pelo Universo inteiro que somos os criadores do nosso mesmo fado na lei de causa e efeito, na trama de acções e reacções a que vamos sendo submetidos pela força do nosso livre-arbítrio.
Compreender que o Universo inteiro se rege por leis magníficas, perfeitas e imutáveis, às quais todos estamos igualmente sujeitos no nosso processo evolutivo, seja ele na Terra, seja nos outros mundos que o compõem.
Brilhar, brilhar e brilhar quais sóis, redes estelares espalhando luz que cintila por todos os mundos, que a todo o momento estão a ser criados, dilatando o universo, expandindo-o em amor e beleza.
Cada um de nós é um desses futuros mundos, embriões de futuros Cristos, de futuras auras que irradiarão pelo cosmos sagrado de Deus.

Barbara Diller